segunda-feira, 10 de março de 2025

Metáfora

O Homem, é uma mistura quase homogênea de cansaço, sofrimento e dor. Mas é quase mesmo, como se no meio do processo aquilo que o misturava de repente houvesse se cansado.

Todo dia o Homem cumpre um ritual. O trajeto até o templo, seu mundo na sacola. Senta no mesmo lugar, todas as vezes. 

Todo dia.

Numa repetição eterna, essa sinfonia da vida é um disco riscado que pula sobre um mesmo trecho infinitas vezes.

Desafinada.

O Homem chama a atenção por cheirar mal, as pessoas o desviam. Um download de arquivo corrompido, um Malware inócuo. Um jovem sempre repara nele, "Porra, de novo?". Não se sabe o que se deteriora mais rápido, se é o Homem ou se é o ambiente que cuida ser perpétuo.

Uma efêmera permanência metafórica de uma cena que se reproduz todos os dias, em cada um de nós.





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