terça-feira, 13 de dezembro de 2022

 Assim que comecei a ler Todo dia a mesma noite, de Daniela Arbex, a primeira impressão que me causou foi a pessoalidade da tragédia. Eu só não sabia para onde isso iria me levar, se é que eu esperava ser transportado à algum lugar. Verdade é que estamos de certa forma acostumados à tragédia, tanto pela frequência em que acontecem diariamente, tanto pelo uso excessivo dos veículos midiáticos em cima destes fatos e demais pormenores de assuntos que todos (ao menos, em tese) concordam que deveriam ser respeitados e que não dizem respeito ao grande público em geral.

Quando somos tomados por notícias trágicas, cada indivíduo reage de uma forma pessoal, cada um com sua sensibilidade, cada qual com a sua empatia. Quanto mais perto da nossa convivência diária (tanto geograficamente, como afetivamente) for o fato trágico, mais tendemos a nos sensibilizar, mais seremos por ela afetados. E é justamente isso que a autora faz conosco, que numa narrativa não linear, nos apresenta histórias de diversas famílias que tiveram suas vidas transformadas de tal forma que é impossível se dissociá-las do evento. Não só das 242 vítimas fatais, mas de seus familiares, as equipes de resgate, corpo de bombeiros, os médicos, enfim, toda uma comunidade. 

Arbex nos mostra como uma cadeia de negligências cometidas por diversas pessoas, órgãos e entidades somaram uma estrutura propícia para o desastre, uma ramificações de acontecimentos que no funcionaram como um efeito dominó. Todo dia a mesma noite relata um dos mais trágicos episódios ocorridos em território nacional do qual não podemos nos esquecer jamais.

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